sábado, 3 de novembro de 2018

Padre Zé Saúde

O padre Zé Saúde tinha vindo de Timor Leste onde passara grande parte da sua vida. Veio para Portugal para passar os últimos dias, num seminário em que tinha todas as condições.
Habituado a tratar-se com ervas e mesinhas naturais quase sempre se recusava a ir ao médico.
No entanto, algumas vezes o diretor obrigava-o a ir mesmo a uma consulta e ele, claro, com todo o respeito obedecia.
Depois da consulta vinha como uma série de receitas que mandava aviar na farmácia próxima.
Quando recebia o saco com os medicamentos colocava-os no lixo. O colega que vivia com ele, indignado, perguntava:
- Padre Zé, porque é que deita os medicamentos no lixo? Se foi ao médico e depois à farmácia, porque é que agora não toma os remédios?
- É simples - respondia ele - O médico precisa de viver, por isso fui à consulta. O farmacêutico também, por isso comprei os medicamentos. Mas... eu também preciso de viver!

domingo, 20 de agosto de 2017

Eclipse do Sol e os mistérios da Lua

O eclipse do Sol acontece porque a Lua na sua trajetória elítica passa em frente à nossa estrela. É um eclipse total nos locais da Terra que ficam no cone de sombra. E nesse caso a Lua tapa o astro rei quase sempre com uma precisão como se tivesse sido colocada no local exacto entre a Terra e o Sol.
A Lua já confunde os espíritos mais científicos ao ter sempre a mesma face voltada para a Terra. O seu movimento elítico de translação está perfeitamente sincronizado com o seu movimento de rotação e por isso desde há milhares de anos, nunca vimos o lado oculto da Lua. Só nas viagens Apollo e com o lançamento de alguns satélites artificiais o homem conseguiu fotografar esse lado. E o mistério continua. Tanto com as imagens que vão sendo conhecidas como com a posição da sua órbita que faz um eclipse total do Sol tão perfeito.

Um universo que hoje supomos resultou de uma explosão, o Big Bang, e criou aleatoriamente todas as galáxias, estrelas e sistemas planetários não pode ter colocado a Lua onde ela está. Não pode ter criado uma constante de plank, uma velocidade da luz e uma lei da gravidade tão perfeita.

Há uma engenharia que surge no estudo da criação que nos leva a crer que vivemos num universo simulado. 

E com tanta beleza que Deus, além de engenheiro, só pode ser um poeta.

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Mais informação sobre os mistérios da Lua: https://youtu.be/2QnscxozhZ0



quinta-feira, 14 de julho de 2016

O poder do observador

A consciência é um erro de software no comportamento robótico humano. Bem treinada, a mente consegue observar os seus pensamentos, emoções e sentidos físicos, tomando consciência das suas sucessivas repetições comportamentais. Estando um pouco acima do comportamento animal, o homem é capaz de observar-se e perguntar-se: Quem é este que pensa, sente e emociona-se? Quase sempre com as mesmas situações.

Longe de conseguir controlar todos os seus pensamentos, emoções e instintos, o homem é no entanto capaz de dissociar-se deles com algum distanciamento. Esse é talvez o seu maior poder. A consciência do ser (essência) e do ter (corpo-mente).
O animal vive o momento presente e reage roboticamente em função dos vários estímulos externos e dos programas (software, instinto) instalados na sua genética. O homem também consegue treinar a sua atenção plena (mindfulness) para acalmar o stress do passado ou do futuro e "animalizar-se". Mas mais poderoso é sempre o poder de observação de todas essas coisas sem se identificar com elas.

A física quântica dá uma explicação sobre a questão da influência do observador no resultado de uma experiência, dizendo que esse resultado depende da forma como se observa. Olhando de uma dada maneira, uma partícula atómica não é bem uma partícula mas sim uma onda. E tudo e todos somos feitos dessas partículas apesar de ser muito subtil o efeito que tem em nós esta lei da nova física.

A meditação, o silêncio e algumas músicas são,  provavelmente, as melhores ferramentas para se alcançar esse estado de observador neutro dos dramas que se desenrolam à nossa volta no dia a dia.

Mas é preciso ter a consciência leve para que essas práticas produzam efeito. Por isso deve começar-se pelo perdão. A si e aos outros. Pela mudança de percepção sobre muitas coisas que lhe tentaram impingir como pecados.

Retire a culpa do seu coração e desfrute desse bem humano supremo que é o poder de observação.



domingo, 26 de junho de 2016

Viciados em sapatos


O homem é o único animal na natureza que usa sapatos. Porquê? Se todos os animais têm as calosidades naturais que lhes permitem andar por cima de tudo sem qualquer problema, sejam pedras, terra, picos, urtigas, relva ou mato, porque é que o homem precisa de usar sapatos?

Provavelmente porque alguém um dia se aleijou num pé e, com medo de voltar a aleijar-se, resolveu criar uns sapatos. Até aqui tudo bem. O problema é a crença de que o homem precisa SEMPRE de sapatos para sobreviver na natureza. A partir daí toda a gente usa sapatos, os pés ficam mais frágeis e a crença torna-se mesmo verdade. Mais do que uma crença tornou-se um vício esquizofrénico com requintes tais que é obrigatório o seu uso e quanto melhores e mais bonitos forem, mais importante será o seu dono ou dona.
Imagine que decide deixar de usar sapatos e começar a criar as calosidades necessárias para deixar esta dependência secular da raça humana. Claro que iria ser considerado um marginal, talvez um pobre mendigo ou, pior ainda, um louco perigoso.
O corpo humano que é perfeito, tem uma forma de sobreviver na natureza sem sapatos. Mesmo depois de tantos séculos viciados em sapatos, todos nós ainda conseguimos criar uma sola natural se, durante alguns meses ou anos, formos treinando os nossos pés para pisarem todo o tipo de coisas que os sapatos também pisam. E muito melhor, sem ter que comprar, calçar e descalçar sapatos todos os dias, sem apertos nem bolhas nos pés.
Mas, acha que conseguia?
Pode desculpar-se com os seus amigos e familiares que não o deixam andar descalço ou que, calçado, se sente mais belo e feliz. Pode dizer que a culpa é da poderosa indústria dos sapatos com os seus lobbies. Pode até começar o processo mas, a meio, aleija-se numa pedra afiada e começa a pensar que não vale a pena. Que os outros é que têm razão, pois todos precisamos de sapatos para viver. Algumas vezes sentir-se-á eufórico pois já consegue fazer 10 quilómetros sem sapatos mas, um dia, não o deixam entrar num restaurante ou no emprego, perde a fé e volta a calçar-se. Até pode chegar a culpar-se que, por andar descalço, fere a sensibilidade das outras pessoas.
Consegue aceitar a responsabilidade de que este assunto de conseguir uns pés descalços, resistentes a tudo, é exclusivamente seu? Consegue entender que os outros, as crenças ou artefactos exteriores, podem prejudicar o seu corpo e torná-lo mais frágil. Que este problema não é do seu corpo mas dos seus hábitos de vida?
Perder o vício dos sapatos é uma tarefa árdua e penosa. Não sei se vale a pena o esforço. Mas, por favor, não diga que o seu corpo perfeito, criado por um Deus poeta, é que tem a culpa das debilidades a que você o habitua.
Se não fizer exercício durante muito tempo e depois começar a usar bengala não diga que é velhice. Se usar óculos cada vez mais graduados não diga que tem a vista cansada. Se comer em demasia não se queixe que está gordo. Se tomar medicamentos por tudo e por nada não diga que é uma pessoa doente. Se fumar não diga que a culpa é do stress. Acreditamos em muitas histórias que não fazem sentido apenas para alimentarmos os nossos vícios. Esta dos sapatos é apenas uma delas, para tomarmos consciência do poder que temos se quisermos mesmo mudar a nossa vida, para algo que sentimos ser melhor para nós.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Teres Humanos

Num planeta perdido algures no espaço, no meio de 100 mil milhões de galáxias, habitam uns seres que acreditam ser aquilo que têm. São os chamados Teres Humanos. 

Por isso se referem a quase tudo o que os rodeia como "meu". O meu país, a minha casa, a minha família, o meu dinheiro, o meu carro, o meu telemóvel, o meu emprego e até dizem o meu corpo, o meu filho ou o meu curso. Para tal criaram uma infinidade de entidades que certificam a sua crença profunda: Notários, registos, bancos, governos, empresas de telecomunicações e outras. Como vivem numa dimensão relativa comparam-se uns com os outros e admiram-se, veneram-se ou repudiam-se e invejam-se pelo que uns e outros têm. Um ter humano é mais importante que outro pelo país em que nasceu, o curso que tirou, o corpo que tem, o cargo que ocupa no emprego ou os terrenos, casas,  dinheiro que  estão registados em seu nome.

São poucos os Teres Humanos que sabem quem são. Alguns mais despertos já sabem que não são nada e são tudo, porque a sua existência nada mais é que uma partícula divina que, algures no tempo e espaço, decidiu ter uma experiência dual. Talvez por curiosidade ou ignorância resolveu separar-se da fonte mas o seu poder continua infinito e tudo e todos à sua volta são afetados pelo seu ser.
No entanto a experiência na matéria e a sensação de separação parece tão real que ele começa cedo a acreditar que a posse de coisas externas ou títulos é eterna e dá felicidade. Não é e não traz. Felicidade é a consciência do ser como algo eterno e não dual, perfeito, infinito, imutável e luminoso. Amor, Deus, Infinito invisível ou Ser Superior podem ser algumas das palavras que mais se aproximam desse conceito.

Um Ter Humano focado totalmente na existência material, terá uma ideia da vida  como um carrossel entre prazer e sofrimento, conforme aquilo que possui e em que se viciou mental e emocionalmente: Coisas, pessoas ou hábitos. 

Mas um Ter Humano com uma consciência espiritual do ser, relativizará tudo o que acontece no espaço-tempo pois ele sabe que não é daqui. Está apenas de passagem. A marca que aqui deixar, especialmente a que se aproxima mais daquilo que normalmente se chama arte, filosofia ou expressão genuína do ser, também é eterna. Sem medos pois todas as coisas físicas perecerão, tanto os anéis como os dedos. 

Só o amor é eterno.

sábado, 9 de abril de 2016

Somos Terra, nada e tudo

Olhei com atenção para a Terra. O que são países? E dinheiro? E futebol? E política? E religião? E fins de semana?
Só vejo água, terra, ar e a luz do sol.

Aproximei-me mais e vi homens, golfinhos, burros e muitos outros animais... Aproximei-me mais ainda e continuo a ver células que são também água (80%), terra, ar e luz do sol. Somos basicamente água com pernas, braços e olhos.

Então fui ainda mais fundo na matéria e vi que é quase tudo espaço vazio com pontinhos de energia aqui e ali. Somos basicamente feitos de nada e um pouco de energia.

Olhei depois para o céu estrelado e vi que o universo também é um infinito vazio com pontinhos de luz aqui e ali.

Então fiquei com medo. Liguei a televisão e comecei a ver um jogo de futebol e depois vi o telejornal e a telenovela. Era fim de semana e precisava distrair a mente.

Mas depois pensei: E... se eu for um espírito livre, temporariamente ligado à matéria terrestre? E se Deus for um poeta que criou este filme onde eu tenho sentimentos, pensamentos, e emoções que me fazem crer que estou vivo? E se esse meu espírito livre for apenas um pedaço do próprio Deus, tudo o que existe, o absoluto, o infinito, a perfeição? E se esse espírito livre (o meu e o de todos os seres) pudesse escolher o tipo de filme que quer viver, não importa o tipo de matéria dual que se aproxime? E se ele puder ver sempre paz, amor, beleza e alegria em vez de guerra e medo?

A Terra é um dos infinitos jardins inventados por Deus, cheio de desafios que nos emocionam, como um jogo de computador, um sonho ou um filme de Hollywood. Estamos na Terra numa experiência, parece que somos quase só água, terra e ar mas, na realidade, somos muito mais que isso. Somos nada e somos tudo. Somos amor e esse é o nosso poder, essa é a única realidade imutável.


sábado, 23 de maio de 2015

Boas emoções curam

Muitas das emoções que sentimos têm efeitos fisiológicos nocivos, desde os mais simples e inofensivos como as batidas cardíacas mais rápidas, respiração profunda ou suores frios até às mais nocivas como a falta de ar, falta de apetite, desmaios, dores agudas, erupções na pele ou estados depressivos. Uma emoção como o medo ou a raiva vivida durante algum tempo pode provocar desde tensões e espasmos em vários músculos e orgãos internos como o cólon, o estômago ou o fígado, provocando dores e a segregação exagerada de diversas hormonas internas.

Algumas hormonas como a somatotrofina segregada pela hipófise ativa o nosso sistema imunitário. Ela é importante quando somos infetados por bactérias ou vírus e isso tudo bem. Mas quando é segregada pelas emoções sombrias de tristeza e desespero ela ativa um falso alarme que pode provocar efeitos negativos como a asma ou outro tipo de alergias.
Outra hormona também segregada pela hipófise é a adrenocorticotropina que provoca um aumento de produção de energia interna. No entanto, se for segregada prolongadamente, por consequência emotiva, irá provocar danos diversos como úlceras pépticas além de debilitar o sistema imunológico. É por essa razão que são apontados os estados de stress prolongados como os responsáveis pelo aparecimento de muitas das doenças atuais.

Como a medicina ocidental foca-se essencialmente no tratamento dos efeitos observáveis por análises químicas e imagens radiográficas, a probabilidade de efeitos secundários é enorme. Por exemplo ao tratar uma alergia com cortisona é provável que ao diminuir a alergia se debilite o sistema imunitário e apareça uma gripe. Depois ao combater a gripe com analgésicos os rins são afetados e assim por diante.
A fibromialgia que pode resultar apenas de uma hipersensibilidade à dor, provocada por estados de stress causadores de tensões musculares em vários pontos e não ser nada de grave, é um outro perigoso ponto de partida para o início de um processo de medicamentação compulsiva.

É provável que a doença emocional seja a principal causa do início do processo de ingestão de produtos químicos sucessivos e, eventualmente de uma das principais causas de morte da nossa sociedade atual: a toma exagerada de medicamentos, a chamada doença iatrogénica.

Fomos treinados pela família e pela escola a desenvolver o nosso raciocínio, memória e conhecimento científico mas pouco foi ensinado para treinarmos a mente a focar-se em pensamentos e sentimentos positivos. Uma alegre a agradável disposição e atitude perante a vida, o mundo e os outros, atrai felicidade e vale mais que todas as riquezas do mundo. Emoções fundamentais felizes acompanhadas de exercícios físicos e de relaxamento mental, fazem o corpo funcionar melhor, em harmonia celular e lidar melhor com todos os imprevistos de ordem diversa, que sempre acontecem.

Deus fez um corpo que gosta de boas emoções. Por isso colocou à nossa volta o sol, a lua, as flores, a água, o ar, os animais, as crianças, as paisagens naturais deslumbrantes e muitas pessoas alegres e de bem com a vida. Sem perder a noção do realismo dual, basta focarmos mais a nossa atenção e perceção nessa direção para vivermos mais felizes e saudáveis.

Sugiro que leia a obra "Como viver 365 dias por ano" - John A. Schindler clicando aqui