segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Intraterrenos

Há quem acredite que vivem outros seres dentro do nosso planeta. São os chamados intraterrenos. Dizem que são seres pacíficos que habitam no interior da Terra, em cidades subterrâneas de outra dimensão e vêm à superfície, exporadicamente, dar um sinal da sua existência. Uma das cidades intraterrenas mais conhecidas é no norte da Argentina. Chama-se Erks. Aí avistam-se naves e ocorrem fenómenos físicos, psicológicos e conscienciais de difícil explicação para o comum dos humanos.
Também os mineiros passam grande parte da vida debaixo de terra. E, ao contrário dos intraterrenos, não é quando aparecem mas sim quando desaparecem que se dá a notícia.
É um trabalho pesado e penoso, longe da luz do sol, da chuva, do ar puro da floresta ou da montanha, dos pássaros e às vezes afastado do carinho da família e dos amigos. É um trabalho pesado e perigoso e, só uma rigorosa disciplina, alguma solidariedade e, muita fé e paixão, permitem aos que trabalham dentro da terra, sobreviver longos anos nessa profissão.
Por vezes, o acaso ou o descuido, provocam acidentes e, a várias centenas de metros de profundidade, o resgate é muito difícil.
Por vezes também, em situações deveras complicadas como a que aconteceu agora no Chile, os mineiros são capazes de sobreviver várias semanas sem qualquer contacto com o mundo exterior e o mundo é capaz de se unir, para encontrar uma solução de resgate para trazê-los de novo à vida.
É bom viver aqui à superfície, neste mundo de tamanha grandeza de espírito, em várias dimensões.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um país adiantado

Todos os cidadãos se levantavam antes do nascer do Sol para irem trabalhar ou estudar. Chegavam aos seus empregos ou escolas uma hora antes do horário. Isto para prevenir eventuais imprevistos no trânsito ou nos transportes públicos e, também, para poderem conviver um pouco com os seus colegas. Algumas empresas e escolas tinham aulas de ginástica, yoga ou outras actividades físicas com música, logo pela manhã, para motivar uma boa energia para o resto do dia.
Muitas reuniões começavam e terminavam antes da hora prevista. Muitas pessoas saiam das empresas ao fim do dia, antes do seu horário, porque conseguiam fazer tudo com grande produtividade. Quase não havia stress. Havia um respeito muito grande pelos outros seres humanos. No trânsito era onde mais se notava, pois ninguém protestava se alguém ia mais devagar a conduzir ou estava a impedir a normal circulação de pessoas e veículos.
Até para comerem, beberem ou divertirem-se eles chegavam sempre antes da hora.
Era mesmo um país muito adiantado !

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O caso Casa Pia

A Casa Pia de Lisboa foi fundada no dia 3 de Julho de 1780, no reinado de D. Maria I, por iniciativa de Diogo Inácio de Pina Manique, no contexto dos problemas sociais decorrentes do terramoto de 1755 que devastou a cidade de Lisboa.
Provisoriamente instalada no Castelo de S. Jorge recebeu crianças, órfãs e abandonadas, além de mendigos e prostitutas, em sectores diferenciados.
Atravessando mais de 2 séculos de história, a Casa Pia de Lisboa aposta hoje no futuro, com o objectivo último de servir melhor as crianças, os jovens e as suas famílias e de responder, de forma mais eficaz e eficiente, aos problemas do nosso tempo, prestigiando a sua História.

Este é um resumo do texto que se lê no site desta nobre instituição que, tanto tem feito pela educação moral e profissional de inúmeras crianças no nosso país, abandonadas pelos pais em circunstâncias tantas vezes incompreensíveis, imorais ou criminosas. A Casa Pia garante uma justiça genuína e subtil, a muitas crianças que, por vicissitudes várias da vida, se vêm sozinhas neste mundo. É mesmo um caso de sucesso.

Talvez por isso se tenha dado tanto relevo, nos últimos tempos, nas TVs, rádios e jornais, ao célebre caso de justiça desta Casa.

sábado, 4 de setembro de 2010

A floresta mágica e os fogos

A nossa floresta é realmente fabulosa. Árvores majestosas e frondosas, algumas seculares, dão-nos o oxigénio, a sombra e até a tranquilidade e a paz que tantas vezes precisamos. São elas que crescem desafiando a lei da gravidade e ligando a terra ao céu. São elas que suportam o equilíbrio dos ecosistemas de uma infinidade de seres vivos. São elas que abrigam mágicas energias subtis que nos transportam para estados de espírito de saúde e serenidade.
Esses seres imóveis e poderosos mostram-nos o quanto é possível fazer tanto pela vida sem sair do mesmo lugar. Rasgando e rompendo, lenta e silenciosamente, pela terra dentro, procuram a água e os sais minerais vitais para se alimentarem e, através da luz solar, convertem-nos em madeira, casca, folhas, frutos e oxigénio. Todos os dias do ano, com frio, vento, chuva e calor intenso, elas ali estão, estáticas, abanando de alegria as suas copas ao sabor da brisa e realizando o seu místico destino de ajudar a raça humana a sobreviver neste lindo planeta multicolor de predominância azul marinho. Há árvores, como por exemplo a oliveira, que chegam a durar vários séculos. Algumas oliveiras conheceram alguns dos nossos antepassados que nós nunca conhecemos. E ali continuam, no mesmo sítio, agora mais velhas mas ainda com mais trabalho que dantes, pois o ar está muito mais poluído. Mas elas não se importam. Não protestam. Não fazem greve. Não choram. Apenas estão. Apenas são. Apenas dão.
Há árvores de folha persistente que são verdes todo o ano. Há outras que amarelecem no Outono, ficam completamente despidas no inverno e depois, quando parecem quase mortas, eis que se dá o milagre da ressurreição em cada primavera com o aparecimento das primeiras folhas, flores e mais tarde os frutos.
Muitos animais têm uma forte relação com as árvores, seja para construir a sua casa ou o seu ninho, para se abrigarem, para se alimentarem ou, simplesmente para respirarem o seu ar. Por isso a floresta, além da melodia dos seus ramos a oscilarem com o vento, tem um outro som muito agradável proveniente do canto dos animais seus habitantes. Pássaros, cigarras, lobos, esquilos e veados, entre outros, são alguns dos elementos dessa grande orquestra sinfónica florestal que enche de alegria e tranquilidade os nossos ouvidos.
Cada árvore é um ser mágico que nos deve merecer o maior respeito e admiração. Fazer-lhes mal é fazer mal a nós próprios e todos os que mais amamos.
Por isso quando se cortam ou queimam árvores ou outros seres do reino vegetal, qualquer que seja o motivo, devíamos chorar emocionados a sua partida, reverenciá-los e agradecer-lhes a eles e a Deus pelo trabalho que realizaram e, logo a seguir, plantar novas árvores e plantas no seu lugar.
Aqueles que fazem mal às árvores registam na sua memória e na sua consciência pesos que irão carregar por toda a sua vida. E mais do que matar, essa culpa impede as pessoas de viver bem com a vida durante muito tempo. Mas é um problema deles.
Aos que, como nós, gostam da vida, do ar puro e da floresta compete-nos apenas plantar, regar e cuidar cada vez mais e mais árvores.
Passar na televisão a floresta a ser cortada ou a arder é uma perca de tempo pois dá alguma importância, por alguns dias, a quem não gosta das árvores.
Passar na televisão imagens das grandes e bonitas florestas que temos na nossa Terra é uma enorme alegria para a alma e assim, usamos o nosso precioso tempo, prestando uma merecida homenagem a quem realmente tem valor: As nossas muito queridas e amadas árvores.
Bem hajam por existirem ! Nós vos amamos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O loendro e as auto-estradas

Na vida e na natureza, a beleza e o perigo andam algumas vezes de mão dada. É o caso do loendro. Uma frondosa flor rosa ou branca que alegra jardins, campos, caminhos, estradas e auto-estradas e que é extremamente venenosa. Uma simples folha é tão tóxica que ingerida pode matar qualquer pessoa. Respeitando a sua identidade mortífera e apreciando a sua beleza sem lhe tocar, tudo é maravilhoso. Ignorando-a, habilitamo-nos a sofrer violentamente.
Esta planta é muito resistente e tem flor durante grande parte do ano. Talvez por isso seja tão utilizada nos separadores centrais das auto-estradas. Talvez também para nos lembrar que devemos respeitar certas regras para podermos continuar a contemplar e saborear este mundo fabuloso, colorido de fascinantes cheiros, sons, cores e sabores.
Com chuva ou nevoeiro devemos abrandar a velocidade pois pode haver um obstáculo fora do campo de visão habitual e fora do controlo normal da nossa forma de conduzir. E, atenção, abrandar pode querer dizer passar de 120 Km por hora para 40 ou 50, respeitando as regras da natureza.
Votos de uma bonita viagem.

domingo, 15 de agosto de 2010

A barrela, o sabão e o cadeirão

Vivia-se ou melhor, sobrevivia-se, no interior profundo da serra de Monchique, estávamos na década de 50. Não foi há tanto tempo assim, apenas pouco mais de meio século. E esta história podia ter-se passado em qualquer outro local do país, especialmente no meio rural.
Nessa época quase não havia dinheiro mas ela sonhava um dia poder ter todas aquelas coisas boas que ouvia falar nos livros, pois sempre gostou muito de ler.
- Oh minha mãe, o que é um sofá ? E uma alcova ? E um telefone ?
- Cala-te filha, sei lá o que é isso, credo ! deixa-te de perguntas parvas e vai mas é trabalhar !
Trabalhava-se do nascer ao por do sol. Tudo ali tinha que ser produzido a partir da natureza. O linho que se plantava para mais tarde fiar e tecer os tecidos dos lençóis e das roupas, a lã para as mantas no rigoroso inverno serrano, os legumes que vinham da horta que tinha que ser regada quase todos os dias, os animais que se criavam para comer num dia de festa ou, no caso das galinhas, quando alguém adoecia. Os ovos sempre podiam ser vendidos na cidade e assim ganhar-se algum dinheiro para a soda cáustica e outros preparados químicos ou para remédios. O pior eram as distâncias. Dali até à cidade eram mais de 20 Km e ela tinha que ir de burro ou melhor, de macho, que o burro era muito lento. Não havia medo de ladrões nem de outros malfeitores. O maior medo era dos lobos. O pai dela já tinha sido atacado por um e não ficou nada bem.
Ela também ia todos os dias à escola, a pé que ficava a uns 10 Km e nunca se sentia cansada. Era muito divertido fazer esse percurso, sozinha ou com os amigos e ela adorava a escola pois sempre adorou aprender coisas novas. Se não fosse a falta de dinheiro que fez com que interrompesse os estudos hoje, muito provavelmente, seria professora mas… é a vida ! Mesmo nos dias de chuva, vento e frio, lá ia ela. A chuva não fazia mal a ninguém e, se fizesse, era só um dia ou pouco mais de febre e lá passava tudo. Que remédio tinha senão passar. Não havia hospital por perto e os médicos eram muito caros. Quando ficava alguém com uma gripe forte, a que chamavam de catarral, havia um remédio santo que todos tomavam: chá da ferrugem. Ao pé das lareiras algumas áreas iam ganhando ferrugem e, depois era só raspar para uma cafeteira com água e ferver. Quase sempre se resolviam as gripes com este remédio caseiro. Para os casos mais graves, compravam-se os tablotes que eram muito eficazes para a febre, assim como as papas de linhaça e água de aivenca. A canja de galinha era o complemento perfeitos destas terapias naturais.
As lareiras também produziam uma matéria prima muito importante na economia de subsistência da altura: a cinza. Isso mesmo, a cinza era usada, vejam só, para branquear o linho, a roupa branca em geral e, por vezes, até para arear as panelas de latão, a que chamavam panelas de arame. Fervendo a cinza com água e depois coando obtinha-se um preparado químico especial para branquear, desinfectar e tirar nódoas que mais tarde foi substituído pela lixívia, hoje tão vulgar e tão economicamente disponível nos nossos supermercados. Depois de lavada com sabão, a roupa era passada pela água fervida de cinza, a que se juntavam pedaços de rosmaninho, alecrim ou alfazema e, acreditem, diz ela, era um cheirinho perfumado tão bom que nem hoje, os mais avançados amaciadores nos conseguem dar. Chamavam-lhe a Barrela. Todas as semanas, pelo menos uma vez, havia barrela lá em casa, naquela pequena aldeia com 60 pessoas que viviam apenas do que a terra lhes dava. Hoje já só restam por ali pouco mais de 3.
O sabão também era uma coisa que ela ajudava a fazer. Juntava-se a banha do porco com soda cáustica, um quilo de cada, e ia a ferver com quatro litros de água. O preparado era então colocado numas formas de madeira e deixava-se solidificar. Saiam dali as barras de sabão, com uma tonalidade esbranquiçada e azulada, que serviam para lavar tudo lá em casa.
Só não lavava a sua grande sede de conhecimento que a levou a perguntar à D. Lurdes, pessoa erudita sua conhecida e vendedora dos livros que ela comprava, o que era uma alcova e um sofá ao que ela lhe explicou que a alcova era um quarto de dormir e o sofá era assim uma espécie de cadeirão. Foi por isso que, um dia, já ela namorava, o pai disse-lhe: - “Oh filha ! agora que já namoras, o pai tem de pensar em comprar-te uma mesinha e quatro cadeirinhas em madeira”. Ao que ela retorquiu prontamente: - "Oh ! meu pai, obrigado mas cadeirinhas não ! Compre-me é um cadeirão !"
Quando hoje lava as suas mãos com sabonete, quando se deita nos seus lençóis lavados ou quando se senta confortavelmente no seu sofá, ela pensa nesta história e agradece pelas coisas boas e pelos momentos tão ricos e maravilhosos que a vida lhe tem proporcionado.
E você ?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Freeport

As pessoas estão cada vez mais bonitas. Umas pelo seu desenvolvimento interior. Outras pela forma como se apresentam. Outras pelas duas coisas que, de algum modo estão interligadas.
O vestuário tem vindo a evoluir continuamente nas últimas décadas e temos hoje criações lindíssimas, de designers nacionais e internacionais famosos, a preços muito acessíveis. É interessante contemplar uma peça de roupa e descobrir todos os seus pormenores, desde o tecido obtido a partir de uma flor de algodão ou de um fio de seda, até às cores, ao corte, aos acabamentos de bom gosto e uma multiplicidade de acessórios criativos que inundam de charme e beleza quem a usar.
É fantástico que quase todos podemos comprar várias novas peças de roupa ao longo do ano, mas lembremo-nos que os nossos ancestrais tiveram apenas alguns fatos em toda a sua vida e que, hoje, em quase todo o planeta, ainda assim é ... muita gente de tanga !
Com os gostos a alterarem muito rapidamente, também as roupas vão acompanhando, ao longo das épocas, essas mudanças. A moda vai ditando as suas regras e o vestuário rapidamente se desactualiza. Por isso as grandes marcas de vestuário, calçado e acessórios têm necessidade de escoar alguns dos seus produtos que não se venderam numa dada época e promovem, algumas vezes por ano, uma coisa excepcional que se chamam "Saldos". É fantástico nos Saldos podermos adquirir uma peça de roupa ou uns sapatos da mais elevada qualidade por um preço incrivelmente baixo, apenas porque já passou de moda.
Ficamos certamente ainda muito elegantes e bonitos apesar de não ser o último grito da moda e a nossa carteira agradece.
Agora imaginem o que seria termos esses Saldos a qualquer hora, todos os dias do ano !
Pois é ! Huau ! Isso já existe ! O engenho humano criou um local onde se pode adquirir vestuário e calçado de grandes estilistas e de grande qualidade, muito barato, todos os dias do ano !
É o Freeport ! Em Alcochete ! Têm sempre saldos ! Vale a pena ir até lá !
Julgo que é por isso que tanto se tem falado nos últimos meses, nos nossos jornais e na nossa TV, deste espectacular empreendimento !