segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natal

Comemoramos, nesta quadra, o nascimento, há 2010 anos, de uma linda criança.
Tentamos saborear, pelo menos uma vez no ano, por alguns momentos, o prazer esquecido de sermos crianças.
Sorrisos e boas gargalhadas é que eu desejo a todos, todos os dias do ano. Tudo tem um lado cómico. Sejam Felizes no Natal e nos outros dias.
E, já agora ... façam Boas Festas uns aos outros.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Adeus tio

Querido tio e padrinho
Soube que partistes hoje de manhã. Uma partida rápida e inesperada. Espero que não tenhas sofrido muito, pois estas passagens, tanto a nascer como a partir, são normalmente um pouco dolorosas. Desejo-te uma boa viagem e uma boa estadia por lá. Pelo que sei, vais para um sítio fantástico, sem tempo nem espaço, onde ao contrário daqui, onde tudo é relativo, lá tudo é absolutamente possível.
Como sempre tivestes um bom sentido de humor, na passagem por esta forma de vida, acho que posso pedir-te este favor. Então é assim, se vires por lá a minha mãe, as minhas avós, o meu avô, a minha prima, as minhas vizinhas de infância e alguns outros amigos meus, dá-lhes um grande abraço meu e diz-lhes que, apesar da saudade, estou muito feliz e cá vou vivendo apaixonadamente, da melhor forma possível, tentando ver sempre o lado bom do que nos vai acontecendo a cada dia, neste lindo planeta do arco-íris. O sol, as estrelas, as flores, o céu, o mar, os pássaros, as plantas e animais, a água, o ar puro e a comida, o meu querido filho, a minha amada mulher, o meu pai e todas as pessoas, sorridentes ou sisudas, que se cruzam connosco, de vez em quando e nos fazem querer ser seres humanos melhores. Claro que temos a noite todos os dias mas isso é apenas para abrandarmos um pouco, descansarmos e, com toda a energia, saborear, com amor, cada novo nascer do sol.
Novos amigos foram aparecendo na minha vida e eles são uma das melhores coisas que temos, não é ? Não falámos muito nos últimos anos porque a vida nos afastou mas, mesmo naqueles encontros na rua, ou em ocasiões especiais como casamentos e funerais, sei que preservavas muito os teus amigos e te encontravas com eles quase todos os dias. Sei que um dia podemos encontrar-nos de novo, noutra vida ou dimensão, noutro tempo e noutro espaço, pois só assim tudo isto faz sentido e, nessa altura então, pomos a escrita em dia.
Apenas uma lágrima de saudade pois esta é uma viagem que todos vamos fazer. Só que, como não sabemos quando nem onde, ficamos às vezes com a sensação que somos imortais e, estupidamente, pensamos que são coitadinhos aqueles que partem à nossa frente. Não há coitadinhos nestas coisas. Todos vão partir, mais à frente ou mais atrás e alegra-me acreditar que há qualquer coisa que nos espera depois disto tudo, não sei ...
Espero que tenhas feito por cá tudo o que mais gostavas e não leves nada por resolver. Os teus filhos, netos, amigos, familiares e conhecidos irão espalhar um pouco por todo o lado o teu amor, a tua lembrança e teu eterno património espiritual.
Mais uma vez desejo-te boa viagem, peço-te que não te esqueças de dar o meu recado àqueles que te disse e, até um dia destes querido tio.
Um forte abraço
Carlos

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Crise

Acordei de manhã com o cantar do galo, num sítio muito estranho, numa cama bem confortável e quentinha. O colchão não era de lã nem de camisas de milho mas sim de um material macio, com molas e duro ao mesmo tempo, e ajustava-se perfeitamente ao meu corpo. Quando abri os olhos reparei que o som do galo vinha de uma caixinha pequena com luzes e botões e, mais tarde, vi a minha esposa usá-lo para falar com a sua mãe. Não percebi, na altura, como ela fez isso pois a caixa não tinha fios e, tão pequena, não parecia nada um telefone. Mas afinal era mesmo um telefone, com um som de galo lá dentro.
O sol despontava no horizonte e, apesar do vidro tão grosso, ele entrava pelas janelas semi-fechadas com umas lâminas brancas, parecia madeira.
Numa divisão contígua ao quarto estava uma pequena sala com um espelho e umas bacias brancas. Em todas elas havia um aparelho que deitava água. Soube mais tarde que se chamava torneira e que a água que saía era potável.
Lavei-me e bebi água. Contemplei-a maravilhado na concha da minha mão. Não havia cântaros, nem alguidares nem fontes para ir a pé buscá-la. A água límpida saía da torneira sempre que eu queria. E podia até escolher quente ou fria. Que mundo fascinante seria este ! Percebi mais tarde que uma das bacias brancas servia para fazermos as nossas necessidades, mesmo ali, junto ao quarto de dormir, sem precisar de ir à rua e tudo muito higiénico.
Vi então a minha mulher carregar num botão luminoso vermelho, de um quadro negro rectangular que estava na parede e … milagre … apareciam imagens e sons de todo o lado do mundo. Uma senhora simpática e bonita ia descrevendo essas imagens. Que estranho quadro com tantas cores e músicas a passar que enchiam de alegria o quarto de dormir. Mais tarde soube que lhe chamavam LCD.
Vesti um dos muitos fatos, impecavelmente limpos e bem cheirosos, que estavam pendurados num armário do quarto e, reparei nos sapatos, tão brilhantes que me assentavam como uma luva. Sentia-me um principe assim tão bem vestido e calçado.
Já tinha alguma fome e que bom seria beber um pouco de leite.
- Onde está a vaca aqui nesta casa ? – perguntei. Talvez esteja dentro de outra caixa, tal como o galo - pensei baixinho. A minha esposa achou estranho a pergunta mas respondeu a brincar: - Está no frigorífico ! E apontou na direcção de outra sala toda coberta de cerâmica branca. Fui abrindo as portas dos vários armários e, para grande surpresa minha, havia comida, pratos, tachos, copos e toda uma série de coisas fascinantes para tratar da comida. Um dos armários estava muito frio por dentro. Quando o abri acendeu-se uma luz e lá vi um pacote, com o desenho de uma vaca. Deve ser leite pensei. Provei e … que maravilha era mesmo leite. Assim fresquinho ainda sabe melhor. Só continuo sem saber onde está a vaca mas que importa isso. Elas são muito queridas mas cheiram mal e dão muito trabalho.
Ao lado do leite havia uma infinidade de alimentos frescos. Frutas, legumes, queijo, manteiga. Humm que maravilha. De que quinta terá vindo tudo isto ? E foi durante a noite pois está tudo tão viçoso !
Ali havia outro LCD que passou também a dar imagens e sons quando carreguei no tal botão luminoso do canto inferior direito.
Assustei-me entretanto com dois apitos que soaram quase ao mesmo tempo. O primeiro apito, tipo campainha, vinha de um dos armários onde a minha mulher retirou um copo de leite quase a ferver. O outro, mais sonoro e contínuo, vinha de uma estranha máquina branca. Ela foi logo desligá-la e, surpresa minha, tirou de lá de dentro um pão acabado de fazer. Já me tinha cheirado a pão mas nunca pensei que fosse ali na própria casa que ele se estivesse a fazer ! E sozinho ! Dentro de uma máquina !
Mais tarde, enquanto ia sentado ao lado da minha esposa, tão bem vestida, pintada, penteada e cheirosa, dentro de uma outra máquina metálica, confortável e com rodas, a que chamavam carro, onde viajávamos a grande velocidade, sem cavalos a puxar, ainda a pensar no delicioso pão quente com manteiga que tive o prazer de saborear uns minutos antes, perguntei-lhe:
- Onde vamos ?
E ela respondeu:
- Hoje estás muito estranho. Nem quisestes trazer o teu carro. Claro que vamos trabalhar.
- Qual trabalho ? Eu tenho trabalho ? E um carro ?
- Claro que sim e podes agradecer a Deus, pois está aí uma crise !
- Crise ? Qual crise ? - pensei eu.

Enfim … pelo que entendo, parece-me que acordei, sem querer, 80 anos depois do meu tempo, num local com tanto conforto e bem estar, comparado com o que eu tive mas ... ao que parece ... dizem que estão agora a passar por uma crise.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Intraterrenos

Há quem acredite que vivem outros seres dentro do nosso planeta. São os chamados intraterrenos. Dizem que são seres pacíficos que habitam no interior da Terra, em cidades subterrâneas de outra dimensão e vêm à superfície, exporadicamente, dar um sinal da sua existência. Uma das cidades intraterrenas mais conhecidas é no norte da Argentina. Chama-se Erks. Aí avistam-se naves e ocorrem fenómenos físicos, psicológicos e conscienciais de difícil explicação para o comum dos humanos.
Também os mineiros passam grande parte da vida debaixo de terra. E, ao contrário dos intraterrenos, não é quando aparecem mas sim quando desaparecem que se dá a notícia.
É um trabalho pesado e penoso, longe da luz do sol, da chuva, do ar puro da floresta ou da montanha, dos pássaros e às vezes afastado do carinho da família e dos amigos. É um trabalho pesado e perigoso e, só uma rigorosa disciplina, alguma solidariedade e, muita fé e paixão, permitem aos que trabalham dentro da terra, sobreviver longos anos nessa profissão.
Por vezes, o acaso ou o descuido, provocam acidentes e, a várias centenas de metros de profundidade, o resgate é muito difícil.
Por vezes também, em situações deveras complicadas como a que aconteceu agora no Chile, os mineiros são capazes de sobreviver várias semanas sem qualquer contacto com o mundo exterior e o mundo é capaz de se unir, para encontrar uma solução de resgate para trazê-los de novo à vida.
É bom viver aqui à superfície, neste mundo de tamanha grandeza de espírito, em várias dimensões.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um país adiantado

Todos os cidadãos se levantavam antes do nascer do Sol para irem trabalhar ou estudar. Chegavam aos seus empregos ou escolas uma hora antes do horário. Isto para prevenir eventuais imprevistos no trânsito ou nos transportes públicos e, também, para poderem conviver um pouco com os seus colegas. Algumas empresas e escolas tinham aulas de ginástica, yoga ou outras actividades físicas com música, logo pela manhã, para motivar uma boa energia para o resto do dia.
Muitas reuniões começavam e terminavam antes da hora prevista. Muitas pessoas saiam das empresas ao fim do dia, antes do seu horário, porque conseguiam fazer tudo com grande produtividade. Quase não havia stress. Havia um respeito muito grande pelos outros seres humanos. No trânsito era onde mais se notava, pois ninguém protestava se alguém ia mais devagar a conduzir ou estava a impedir a normal circulação de pessoas e veículos.
Até para comerem, beberem ou divertirem-se eles chegavam sempre antes da hora.
Era mesmo um país muito adiantado !

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O caso Casa Pia

A Casa Pia de Lisboa foi fundada no dia 3 de Julho de 1780, no reinado de D. Maria I, por iniciativa de Diogo Inácio de Pina Manique, no contexto dos problemas sociais decorrentes do terramoto de 1755 que devastou a cidade de Lisboa.
Provisoriamente instalada no Castelo de S. Jorge recebeu crianças, órfãs e abandonadas, além de mendigos e prostitutas, em sectores diferenciados.
Atravessando mais de 2 séculos de história, a Casa Pia de Lisboa aposta hoje no futuro, com o objectivo último de servir melhor as crianças, os jovens e as suas famílias e de responder, de forma mais eficaz e eficiente, aos problemas do nosso tempo, prestigiando a sua História.

Este é um resumo do texto que se lê no site desta nobre instituição que, tanto tem feito pela educação moral e profissional de inúmeras crianças no nosso país, abandonadas pelos pais em circunstâncias tantas vezes incompreensíveis, imorais ou criminosas. A Casa Pia garante uma justiça genuína e subtil, a muitas crianças que, por vicissitudes várias da vida, se vêm sozinhas neste mundo. É mesmo um caso de sucesso.

Talvez por isso se tenha dado tanto relevo, nos últimos tempos, nas TVs, rádios e jornais, ao célebre caso de justiça desta Casa.

sábado, 4 de setembro de 2010

A floresta mágica e os fogos

A nossa floresta é realmente fabulosa. Árvores majestosas e frondosas, algumas seculares, dão-nos o oxigénio, a sombra e até a tranquilidade e a paz que tantas vezes precisamos. São elas que crescem desafiando a lei da gravidade e ligando a terra ao céu. São elas que suportam o equilíbrio dos ecosistemas de uma infinidade de seres vivos. São elas que abrigam mágicas energias subtis que nos transportam para estados de espírito de saúde e serenidade.
Esses seres imóveis e poderosos mostram-nos o quanto é possível fazer tanto pela vida sem sair do mesmo lugar. Rasgando e rompendo, lenta e silenciosamente, pela terra dentro, procuram a água e os sais minerais vitais para se alimentarem e, através da luz solar, convertem-nos em madeira, casca, folhas, frutos e oxigénio. Todos os dias do ano, com frio, vento, chuva e calor intenso, elas ali estão, estáticas, abanando de alegria as suas copas ao sabor da brisa e realizando o seu místico destino de ajudar a raça humana a sobreviver neste lindo planeta multicolor de predominância azul marinho. Há árvores, como por exemplo a oliveira, que chegam a durar vários séculos. Algumas oliveiras conheceram alguns dos nossos antepassados que nós nunca conhecemos. E ali continuam, no mesmo sítio, agora mais velhas mas ainda com mais trabalho que dantes, pois o ar está muito mais poluído. Mas elas não se importam. Não protestam. Não fazem greve. Não choram. Apenas estão. Apenas são. Apenas dão.
Há árvores de folha persistente que são verdes todo o ano. Há outras que amarelecem no Outono, ficam completamente despidas no inverno e depois, quando parecem quase mortas, eis que se dá o milagre da ressurreição em cada primavera com o aparecimento das primeiras folhas, flores e mais tarde os frutos.
Muitos animais têm uma forte relação com as árvores, seja para construir a sua casa ou o seu ninho, para se abrigarem, para se alimentarem ou, simplesmente para respirarem o seu ar. Por isso a floresta, além da melodia dos seus ramos a oscilarem com o vento, tem um outro som muito agradável proveniente do canto dos animais seus habitantes. Pássaros, cigarras, lobos, esquilos e veados, entre outros, são alguns dos elementos dessa grande orquestra sinfónica florestal que enche de alegria e tranquilidade os nossos ouvidos.
Cada árvore é um ser mágico que nos deve merecer o maior respeito e admiração. Fazer-lhes mal é fazer mal a nós próprios e todos os que mais amamos.
Por isso quando se cortam ou queimam árvores ou outros seres do reino vegetal, qualquer que seja o motivo, devíamos chorar emocionados a sua partida, reverenciá-los e agradecer-lhes a eles e a Deus pelo trabalho que realizaram e, logo a seguir, plantar novas árvores e plantas no seu lugar.
Aqueles que fazem mal às árvores registam na sua memória e na sua consciência pesos que irão carregar por toda a sua vida. E mais do que matar, essa culpa impede as pessoas de viver bem com a vida durante muito tempo. Mas é um problema deles.
Aos que, como nós, gostam da vida, do ar puro e da floresta compete-nos apenas plantar, regar e cuidar cada vez mais e mais árvores.
Passar na televisão a floresta a ser cortada ou a arder é uma perca de tempo pois dá alguma importância, por alguns dias, a quem não gosta das árvores.
Passar na televisão imagens das grandes e bonitas florestas que temos na nossa Terra é uma enorme alegria para a alma e assim, usamos o nosso precioso tempo, prestando uma merecida homenagem a quem realmente tem valor: As nossas muito queridas e amadas árvores.
Bem hajam por existirem ! Nós vos amamos.